sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

As escolas precisam se modernizar? Parte 1

by 0tacili0

            Antes que você ache que eu vim aqui pra defender a distribuição de notebooks ou tablets pros alunos, ESQUEÇA! Esse e o próximo texto, na verdade falam da falta de problematização dos aparatos tecnológicos atuais nas escolas. Escritos por mim e pelo meu grande amigo Douglas F. Diehl no semestre passado.


Antes mesmo da própria “revolução científica” no século XVI, o conhecimento humano vem se multiplicando de forma exponencial, permitindo avanços na área da técnica, que por sua vez tornam-se ferramentas para a produção de outros conhecimentos (como por exemplo, as 6 máquinas simples clássicas), e assim continuaria ad infinitum.
Dando um pequeno salto no tempo (4 séculos precisamente, coisa pouca), houve uma popularização enorme do aparato tecnológico que praticamente permeiaria dali em diante nossas vidas – rádio, fotografia, cinema, televisão, carros, e mais uns par de coisas. Avançando um pouco mais no tempo, vimos a popularização dos CDs, DVDs, celulares, e em certa medida os computadores e a própria Internet (olha ela de novo aí)! Algumas dessas ferramentas e o conteúdo produzido pelas mesmas receberam um termo só pra elas: as mídias.

- Tá, saquei a retrospectiva de fim de ano (ou mundo?) mas e as escolas??
Agora sim, bom... até agora ficou claro o quanto essas mídias ou aparatos tecnológicos, estão presentes à todo momento na vida do cidadão ou da cidadã do séc. XXI, que parece depender deste “novos” recursos para viver. Mas você já reparou o quão distante as escolas e a própria Educação mesmo ainda estão destas mídias? Será que o espaço escolar não é adequado? Ou estas ferramentas é que não são importantes pra escola? Sim, são muitas questões a serem discutidas, mas vamos ver o que dá pra trabalhar aqui antes de dividir o texto.

Então vamos dar um passo atrás antes de xingar o sistema educacional (afinal isso é tão fácil não é verdade?) e tentar entender primeiramente as relações entre as pessoas e as tecnologias da informação que, em nosso contexto histórico atual são o grande agente potencializador da famigerada globalização.
O consumo dessas ferramentas impulsiona a economia e a população cada vez mais “incluída” (quer dizer, nem tanto) perde-se em meio a aparelhos que se tornam obsoletos em questão de meses. Não estou dizendo que a “inclusão digital” seja ruim, muito pelo contrário, ela demonstra a ascensão das classes sociais. O problema é que essa população encontra um ritmo frenético de produção estabelecido e, sem tempo para adequarem-se a essa nova realidade o surgimento de comportamentos desapropriados tende a se multiplicar. Alguns exemplos podem incluir: a aparente confusão na noção de convivência em relação à utilização desses aparelhos em público (leia-se o alto grau de idiotisse que é colocar música em volume alto dentro do busão), o descarte desses mesmos produtos em dissonância com o ciclo de vida da tecnologia (vide imagem abaixo, pode ser muito útil pra você pensando em comprar seu celular da moda).
Créditos ao Tecmundo - Clique para ampliar

Como mencionado, a globalização é potencializada por essas tecnologias, mas seu avanço é superior a sua capacidade de organização (em nível mais amplo isso é um reflexo de como essa mentalidade interfere nos recursos do planeta). A sociedade, desorientada, acompanha esse crescimento econômico com a mesma mentalidade, visando satisfação pessoal (mesmo que fugaz), sem pensar coletivamente. Nesse sentido não é de se espantar que noções mínimas de cidadania se percam em meio a toda produção de subterfúgios para consumo das novas tecnologias como, por exemplo, o status vinculado a certos produtos ou a falsa necessidade de consumo dos mesmos.

Agora sim, dá pra criticar o sistema. heheh O ensino, ao longo de muitos anos permanece o mesmo, incapaz de atender as condições que as rápidas transformações impõem. Esse ensino tradicionalista em muito tem a ver com a formação de professores e da própria organização da escola, pois a preparação do docente pode não atender mais as necessidades da sociedade quando ele estiver dando aulas - é que nem você jovem que hoje aprende uma coisa mas amanhã o que você aprendeu não está mais correto ou tornou-se desnecessário, professor passa por isso também. Pretendendo contornar esse impasse nos processos educacionais a proposta das novas tecnologias midiáticas na Educação é promissora e parece ser um dos caminhos mais acertados na busca por um reajuste no ensino, atualmente anacrônico.

O texto ficou longo de novo e o resto do texto além das referências vai ter que ficar pro próximo post. Até lá, confiram os links que eu deixei no corpo do texto.

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