Antes que você ache que eu vim aqui pra defender a distribuição de notebooks ou tablets pros alunos, ESQUEÇA! Esse e o próximo texto, na verdade falam da falta de problematização dos aparatos tecnológicos atuais nas escolas. Escritos por mim e pelo meu grande amigo Douglas F. Diehl no semestre passado.
Antes
mesmo da própria “revolução científica” no século XVI, o conhecimento humano
vem se multiplicando de forma exponencial, permitindo avanços na área da
técnica, que por sua vez tornam-se ferramentas para a produção de outros
conhecimentos (como por exemplo, as 6 máquinas simples clássicas), e assim
continuaria ad infinitum.
Dando
um pequeno salto no tempo (4 séculos precisamente, coisa pouca), houve uma
popularização enorme do aparato tecnológico que praticamente permeiaria dali
em diante nossas vidas – rádio, fotografia, cinema, televisão, carros, e mais
uns par de coisas. Avançando um pouco mais no tempo, vimos a popularização dos
CDs, DVDs, celulares, e em certa medida os computadores e a própria Internet
(olha ela de novo aí)! Algumas dessas ferramentas e o conteúdo produzido pelas
mesmas receberam um termo só pra elas: as mídias.
- Tá,
saquei a retrospectiva de fim de ano (ou mundo?) mas e as escolas??
Agora sim, bom... até
agora ficou claro o quanto essas mídias ou aparatos tecnológicos, estão
presentes à todo momento na vida do cidadão ou da cidadã do séc. XXI, que
parece depender deste “novos” recursos para viver. Mas você já reparou o quão
distante as escolas e a própria Educação mesmo ainda estão destas mídias? Será
que o espaço escolar não é adequado? Ou estas ferramentas é que não são
importantes pra escola? Sim, são muitas questões a serem discutidas, mas vamos ver
o que dá pra trabalhar aqui antes de dividir o texto.
Então vamos dar um passo
atrás antes de xingar o sistema educacional (afinal isso é tão fácil não é
verdade?) e tentar entender primeiramente as relações entre as pessoas e as
tecnologias da informação que, em nosso contexto histórico atual são o grande
agente potencializador da famigerada globalização.
O consumo dessas
ferramentas impulsiona a economia e a população cada vez mais “incluída” (quer dizer, nem tanto) perde-se em meio a aparelhos que se tornam obsoletos em questão de meses. Não
estou dizendo que a “inclusão digital” seja ruim, muito pelo contrário, ela
demonstra a ascensão das classes sociais. O problema é que essa população
encontra um ritmo frenético de produção estabelecido e, sem tempo para adequarem-se
a essa nova realidade o surgimento de comportamentos desapropriados tende a se
multiplicar. Alguns exemplos podem incluir: a aparente confusão na noção de
convivência em relação à utilização desses aparelhos em público (leia-se o alto
grau de idiotisse que é colocar música em volume alto dentro do busão), o
descarte desses mesmos produtos em dissonância com o ciclo de vida da
tecnologia (vide imagem abaixo, pode ser muito útil pra você pensando em comprar seu celular da moda).
Como mencionado, a
globalização é potencializada por essas tecnologias, mas seu avanço é superior
a sua capacidade de organização (em nível mais amplo isso é um reflexo de como
essa mentalidade interfere nos recursos do planeta). A sociedade, desorientada,
acompanha esse crescimento econômico com a mesma mentalidade, visando
satisfação pessoal (mesmo que fugaz), sem pensar coletivamente. Nesse sentido
não é de se espantar que noções mínimas de cidadania se percam em meio a toda
produção de subterfúgios para consumo das novas tecnologias como, por exemplo,
o status vinculado a certos produtos
ou a falsa necessidade de consumo dos mesmos.
Agora sim, dá pra criticar
o sistema. heheh O ensino, ao longo de muitos anos permanece o mesmo, incapaz
de atender as condições que as rápidas transformações impõem. Esse ensino
tradicionalista em muito tem a ver com a formação de professores e da própria
organização da escola, pois a preparação do docente pode não atender mais as
necessidades da sociedade quando ele estiver dando aulas - é que nem você jovem
que hoje aprende uma coisa mas amanhã o que você aprendeu não está mais correto
ou tornou-se desnecessário, professor passa por isso também. Pretendendo
contornar esse impasse nos processos educacionais a proposta das novas
tecnologias midiáticas na Educação é promissora e parece ser um dos caminhos
mais acertados na busca por um reajuste no ensino, atualmente anacrônico.
O texto ficou longo de
novo e o resto do texto além das referências vai ter que ficar pro próximo post. Até lá, confiram os links que eu deixei no corpo do texto.

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